sexta-feira, 14 de junho de 2013

Diário de Viagem: Madri - Capítulo 7

04.04


Último dia sempre torna difícil decidir o que fazer, já que todo o resto vai ficar pra trás em breve.

Por sorte os dias anteriores me deram a chance de cobrir os principais pontos da cidade e a escolha por visitar o Palácio Real hoje não deixou a desejar.


É um clássico num país que é uma monarquia ir até a morada da autoridade máxima do país e ver como vivem e viveram gerações da família real espanhola.

Por sorte também - ou azar praqueles que não suportam - tive pela terceira vez em meu carro no metrô aqueles músicos populares que mostram sua arte em troca de algumas moedas e alegram um pouco o dia dos passageiros.

A sensação do dia foi "puxa, como tudo é perto aqui em Madri!".

Diferente de Berlim, por exemplo, que é uma cidade muito espalhada, Madri te permite fazer praticamente tudo a pé num raio relativamente pequeno de ação.

Essa "proximidade" te permite andar várias vezes por lugares "conhecidos", por assim dizer e te proporcionam descobrir locais como o Cafe de Mahón.

De ambiente agradável, porém diferente; com música não convencional, mas interessante, é diversão garantida!


Ah, última dica, não deixe de experimentar os molhos - e suas misturas - no Hamburguesa Nostra.

Não se acanhe, mas é possível que um único hambúrguer seja pouco pra testar todos os sabores...



FachIndica:


Palácio Real - Calle Bailén, s/n

Café de Mahón - Plaza Dos de Mayo, 4

Hamburguesa Nostra - vários pela cidade - El Corte Inglés Callao

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Diário de Viagem: Madri - Capítulo 6

03.04


É incrível como, por mais tempo que se passe num lugar durante suas férias, sempre há algo desconhecido, mesmo perto do hotel onde se está hospedado.

Essa é a sensação com que saio hoje de Madri.

Este já é o sexto dia na capital espanhola e acabo de descobrir que não conheço nada da cidade ainda...

O que é fantástico, porque já deixa um gancho - e aquela vontade incubada - de voltar em breve.

O clima parece de despedida, mas não é bem assim - ainda que amanhã seja meu último dia por aqui.

Portanto, dia cheio hoje!

Com direito ao clássico Museu do Prado, almoço imperdível no La Vaca Verónica e...

...uma das coisas por que mais aguardei nesta viagem: assistir a um jogo da Champions League no estádio!

Seria minha primeira experiência depois da frustrada tentativa de ver a final do ano passado em Munique.



E foi espetacular, como manda o figurino!

Timaços em campo, show de organização, jogo muito bom, gols...

E ainda há o requinte do hino da competição com a bandeira tremulando no meio do gramado.

Eles realmente sabem como transformar um simples jogo de futebol num espetáculo!

Na volta, metrô lotado com todos os torcedores que estavam no estádio - que até aquecedor tem, pasmem! -, mas nada que uma caminhada até uma segunda estação próxima não resolvesse.


Conta-se também com a vantagem de se sentir seguro de andar à noite pelas ruas de uma cidade grande, coisa pouco comum nas nossas cidades, infelizmente!

Resumindo, esse é o tipo de evento que merece ser repetido, várias e várias vezes.






FachIndica:


Restaurante La Vaca Verónica - Calle Moratín, 38

Museo del Prado - Paseo del Prado

Estádio Santiago Bernabéu - Avenida Concha Espina, 1

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Diário de Viagem: Madri - Capítulo 5

02.04


Você, por acaso, imagina o tamanho da coleção "particular" de arte da rainha?


Isso, ela mesma, aquela senhorinha que governa não só a Inglaterra como o Reino Unido todo, a Rainha Elizabeth, sabe?


Pois é, eu também não tenho ideia de quantos quadros, esculturas, obras de arte em geral ela tem em casa, mas devem ser muitas!

Então! Aqui em Madri, um casal entrou nessa onda de colecionar objetos de arte e quase alcançou a rainha. Ao que consta a coleção deles é a segunda do mundo!


O casal de quem falo são o Duque e a Duquesa Thyssen-Bornemisza e a coleção deles, organizada cronologicamente desde os antigos até os modernos, fica exposta num belo prédio que abriga o Museu Thyssen.


Mais à noite tive outra daquelas experiências que só o futebol proporciona.

Voltando pro hotel, morrendo de fome - pra variar - e tentando achar um lugar onde estivesse passando o jogo do Barcelona.

Felizmente achei, ainda que esteja na cidade do arquirrival Real Madrid, um bar cujas paredes indicavam ser uma casa atleticana e onde um grupo de senhores torciam fervorosamente contra o time catalão.

Eram quatro ou cinco que se alternavam na mesa do fundo com vista VIP para a televisão.

Senhores com idade para ser quase meus avôs, mas que tinham entre si uma relação que parecia existir há anos, com direito a beijinho na cabeça, "briga" para ver quem pagava a conta e piadinhas mil entre eles.

O jogo virou detalhe...



FachIndica:


Restaurante Taj - Calle Marques de Cubas, 6

Museo Thyssen-Bornemisza - Paseo del Prado, 8

Bar La Fornia - Calle Montesa, 9

domingo, 9 de junho de 2013

Diário de Viagem: Madri - Capítulo 4

01.04


Hoje tive a impressão de ter participado de um filme de James Bond.

Digo, não exatamente, mas vocês precisam ir ao restaurante La Finca de Susana...

O ambiente, se é que nunca foi usado pra isso, é muito parecido com o daqueles restaurantes chiques em que o agente 007 está quando uma bomba explode ou um carro "desgovernado" invade o salão ou ainda onde ele conhece as Bond Girls...

O requinte de crueldade para que a semelhança se estabeleça é o balé que os garçons e garçonetes - asiáticos em sua maioria - promovem ao flanar pelo local seja com pratos, seja com pedidos e contas nas mãos.

Deixando o excesso de imaginação de lado agora e me fixando na comida, recomendo que não percam uma sobremesa simplesmente espetacular que provei lá: é um flan de laranja com creme inglês. Delicioso!



Continuando no quesito gastronomia - depois da caminhar pela Calle Mayor, rua de comércio aqui em Madri -, parei na Uvepan, uma cafeteria que reúne sofisticação e simplicidade ao mesmo tempo. Boa opção para uma pausa no meio da tarde.


Cheguei assim à Gran Vía, que para mim pode ser resumida como um misto de Broadway - por seus vários teatros reunidos - e 5ª Avenida - cheia de lojas das mais famosas marcas mundiais.


Aqui é possível passar horas e horas subindo e descendo sem se cansar da vista.


Fim do dia reservado para experimentar uma cervejaria alemã perto de casa.

O hambúrguer é delicioso - a dificuldade está em escolher um deles -, a oferta de cervejas do mundo todo é ampla, a música é boa etc.

É como um pub inglês, mas com motivo alemão.

O ponto contra foi o serviço, muito devagar na noite em que estive ali.



FachIndica:


Restaurante La Finca de Susana - Calle Arlaban, 4

Cafeteria Uvepan - várias pela cidade - Calle Mayor, 30

Bar La Casa de la Cerveza - Calle Juan Bravo, 64 (esquina com Calle de Alcántara)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Diário de Viagem: Madri - Capítulo 3

31.03




Sabe aquela sensação de participar de uma tourada (nem que seja só assistindo)?


A expectativa do toureiro antes de soltarem o touro em sua direção...

Os gritos de olé dos espectadores...

As dezenas de fugas do homem do lenço vermelho...

As inúmeras quase chifradas que se leva, ou se dá dependendo de pra quem se torce...

Pois bem, também não conheço essa sensação!

Mas a visita à Plaza de Toros de Madri te remete a essas imagens que sempre temos em mente quando o assunto é tourada.



Mas o domingo madrileno é efetivamente completo só - e somente só - se você se juntar a uma horda de locais e turistas pelas ruazinhas apinhadas de barracas vendendo de tudo que se possa imaginar.

Não, não é sonho - nem pesadelo!

Você está em El Rastro, o mercado popular de artesanatos e variedades de Madri.

Agora, apesar de encontrar um monte de bugigangas, brinquedos para as crianças, objetos de couro, arte etc., o passeio não teria sido o mesmo se não tivesse entrado na San Millan, uma dessas cervejarias que já se fundiram em minha memória afetiva com a Espanha, ou com Madri pelo menos.

Na calçada, dezenas de mesas e cadeiras ordenadas de forma meio desordenada (ou de um jeito que ainda não pude compreender).


Ao abrir a porta do salão, um balcão ao fundo, uma meia dúzia de barris - daqueles de madeira mesmo, como nos filmes de piratas - servindo como apoio para uma infinidade de clientes que tentam conversar entre si por cima da gritaria dos garçons por detrás da "barra" - o balcão - formando um coro ensurdecedor de vozes por todo o ambiente.

O barulho diminui quando você atinge a "barra" e pede seu prato e suas duas "cañas" por módicos €5!

Parece que todo o universo pára enquanto você aprecia suas garfadas de tortilla regadas à cerveja local.



A noite foi reservada para um dos lugares que parece ter sido feito para fazer novas amizades: um estádio de futebol.


Ainda no Brasil tinha comprado pela internet o ingresso do jogo do terceiro time do campeonato - o Atlético de Madrid -, o que ofereceria ainda a satisfação de conhecer mais um estádio europeu - o Vicente Calderón.


Para amantes do esporte, como eu, é uma experiência daquelas que gostaríamos de ver no Brasil. Poder ver um jogo de um dos melhores campeonatos do mundo, num estádio bem estruturado e cheio - apesar da chuva -, com jogadores de primeira linha em campo e ainda por cima com uma torcida que não pára quieta um minuto sequer!

Aí, terminado o jogo, você chegando em casa, aquela fomezinha de fim de noite, escolhe a saída errada do metrô, sobe as escadas e se depara com um lugar que nunca viu na vida...

Poxa, sair procurando a rua do hotel quase meia-noite e o estômago pedindo alguma coisa é crueldade.

Nessas horas que o destino joga a favor, entrei numa padaria - isso mesmo! tinha uma padaria aberta essa hora da noite de um domingo no bairro do meu hotel em Madri - pra perguntar sobre a rua que deveria ir.

Como o destino é meio brincalhão, o barista não conhecia minha rua, então toquei a procurar sozinho.

Até que não foi muito difícil encontrar, daí que resolvi matar aquela fome...

Voltei pra padoca!



FachIndica:


Plaza de Toros de Las Ventas - Calle Alcalá, 237

El Rastro - Plaza de Cascorro

Cerceveria San Millan - Calle Toledo, 61

Estación de Atocha - Plaza del Emperador Carlos V

Estádio Vicente Calderón - Paseo de la Virgen del Puerto, 67

Nurielle - Calle de Juan Bravo, 52 (esquina com Calle del Conde de Peñalver)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Diário de Viagem: Madri - Capítulo 2

30.03


Se a preguiça da cidade no dia anterior era visível, a contaminação do turista aqui na manhã seguinte não era menos presente!

Depois de sair do hotel por volta de 12h30, a primeira parada - óbvia - foi o almoço na Calle de Alcalá, onde, além de comer minha primeira paella espanhola, aprendi que torrijas são nossas rabanadas e que a época típica de comê-las por aqui é na Semana Santa.


A experiência do dia foi, no entanto, ser abordado no Parque del Retiro por dois jovens americanos mormons. Há duas semanas na Espanha e falando pouco espanhol, se preparam por mais quatro semanas de estudo do idioma para dois longos anos pregando sua fé pelo país.


Mais à tarde, graças às entradas gratuitas distribuídas hoje, visitar o Museu Reina Sofía foi pouco interessante pra quem não gosta de arte moderna, exceção feita por obras de Picasso, como Guernica.


Aí, voltando pra casa, passando de novo pelo parque que você acabou de visitar, pega um caminho diferente pra tirar aquelas fotos maneiras de fim de dia e voilà! Você está completamente perdido...

Por sorte o fato de se perder num lugar que não conhece é tão natural quanto ter escolhido exatamente aquela rua, aquele bairro pra visitar. Tudo é novidade!

Foi assim que vim parar na Cruz Blanca Cerveceria, para tomar uma Cruzcampo e comer um sanduíche de jamon serrano.

Um hábito comum por aqui é ser servido com uma porção de batatas fritas - como aquelas batatas portuguesas - quando se pede um chope em algum bar. Ganhei uma dessas - vitaminada por causa de sardinhas que a acompanhava - na Cruz Blanca, mas pude ver isso também no Café & Té, onde parei para um café depois de ajudar turistas perdidos e onde duas senhoras tomavam seus goles.

A última do dia foi me ver perdido - de novo - na volta pro hotel, mesmo já tendo encontrado a Calle de Alcalá, um dos meus pontos de referência na cidade... Por sorte já estava no bairro do hotel e não foi difícil me (re)localizar.



FachIndica:


Restaurante Alcalá Unodoscinco - Calle de Alcalá, 125

Restaurante Cruz Blanca - Calle Menéndez Pelayo, 47

Café & Té - vários pela cidade - Calle de Alcalá, 113

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Diário de Viagem: Madri - Capítulo 1

29.03


Chegar a um lugar, qualquer que seja, em uma sexta-feira santa é um pouco estranho. Chegar a Madri num dia chuvoso e ainda por cima feriado religioso é mais estranho ainda.

A cidade toda parada, como se nós, naquele domingo preguiçoso, ficássemos na cama até que as costas não aguentassem mais de tanto dormir...

Ainda assim, como sempre levantamos - nem que seja para deitar novamente no sofá da sala - a Madri que encontrei parece algo já vivido, ruas antes caminhadas, rostos já vistos num passado completamente esquecido.

A caminhada noturna, habitual após o merecido - e hoje mais necessário do que nunca - banho me trouxe à Osteria di Clemenza.


A mesa bem posta, a simpatia no serviço, a saborosa variedade de pães e entradas, além da bela combinação de cervejas - uma no copo, outra como base do risoto que comi - me fazem sentir que comecei bem minha incursão madrilena.




FachIndica:


Hotel Zenit Abeba - Calle de Alcántara, 63 / Barrio de Salamanca

Restaurante Osteria di Clemenza - Calle de Jose Ortega y Gasset, 52

domingo, 2 de junho de 2013

Diário de Viagem - Edição 2013

2013 chegou e as viagens continuam (ainda bem!)...

E a primeira deste ano parece o mapa do lugar que visitei: alguns bons dias na Espanha e um pouquinho de Portugal, pra não perder a chance de visitar mais um pouco da terra dos patrícios.


Como novidades das publicações temos duas!

A primeira é o FachIndica, ou seja, as Dicas do Fachin ou as coisas que o Fachin Indica.

São os principais lugares que visitei e que espero que vocês possam visitar também quando estiverem por lá.

A outra é a trilha sonora da viagem.

Normalmente, em todo lugar que visito, tem algum som tocando todo dia nos rádios ou alguma música que marca a viagem.

Acabei escolhendo uma música por lugar e minha sugestão é que vocês cliquem no play logo no começo da postagem e deixem a música rolar enquanto leem o texto.

Espero que gostem!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Diário de Viagem: Berlim - Capítulo 7

02.06

Últimas horas em Berlim e a difícil decisão de que ver no pouco tempo que resta.

A escolha foi pelo Pergamonmuseum, talvez o mais famoso da Ilha dos Museus, e que tem uma coleção de esculturas de cair o queixo.



[Dica: se escolher um sábado para ir até lá, saiba que neste dia o museu abre às 10h]

Eu disse esculturas, mas o hall nobre - por assim dizer - abriga, nada mais, nada menos que o Altar de Pergamon: simplesmente fantástico! E gigantesco!!!

Grandioso também é o Portal do Mercado de Mileto - na sala ao lado - ou o Babilônico Portão Ishtar. Valem, e muito, a visita.

[Dica: quando se cansar da típica - e pesada - comida alemã, procure a Trattoria Peretti. Ao lado do Domo de Berlim e pertinho da Ilha dos Museus, tem comida saborosa e cheia de aroma! O pão é imperdível!]



Ainda imbuído do espírito crítico dos guias de ontem, fiquei pensando se não estamos no Brasil num momento de excesso de auto-crítica.

Explico, já que não quero dizer que a luta por fazer as coisas de maneira correta seja ruim.

Por muitas vezes ouvi - e falei, óbvio - que o bom estava fora, que lá no exterior é que as coisas funcionam, "veja a pontualidade britânica!", "fiem-se na eficiência alemã" e por aí vai.

Isso parece que nós, brasileiros, não temos virtudes e que eles, os europeus, desenvolvidos, são só virtudes!

O que me fez lembrar, e invocar um segundo, terceiro, décimo, quadragésimo nono - sei lá quantos já não tiveram essa mesma ideia - Manifesto Antropofágico!

É! Semana de Arte Moderna! 1922! Oswald de Andrade! Mário de Andrade! Porque é que não podemos olhar pra fora com uma visão de encontrar o que é bom e incorporar ao que já temos de positivo?

Bom, já filosofei demais. Só me resta agora me despedir de Berlim, da Alemanha, da viagem e aguardar a próxima!

Auf Wiedersehen!

Diário de Viagem: Berlim - Capítulo 6

01.06

Hoje peguei a "linha 2" do ônibus turístico que usei ontem. O trajeto inclui outras atracões fora do circuito clássico berlinense.

De certa forma me surpreendi com o tom crítico e irônico do guia sobre alguns aspectos da realidade alemã e o "german way of doing things", se é que me entende.

Um exemplo: quando chegamos na estação central de trem da cidade, inaugurada em 2006 por conta da Copa do Mundo, o comentário dele foi de que aquela gigantesca construção teria custado apenas sete (7!) vezes mais do que o planejado e teria diminuído o tempo de viagem a Paris em - míseros - dois (2!) minutos.

Qualquer semelhança com os dias que vivemos no Brasil e as discussões sobre as obras para a Copa e os Jogos Olímpicos (não) é mera coincidência!

Outro ponto que me chamou a atenção durante estes dias em Berlim foi uma sensação - que pode ser apenas isso - de que toda essa exposição sobre nazismo e Muro de Berlim pode represar sentimentos nacionalistas nos alemães.

Não sei se eles se acostumam em ver e ouvir isso todos os dias, mas eu - nos poucos dias que fiquei aqui - me impressionei com a suposta naturalidade com que eles lidam com essa história.

Me pergunto, inclusive, se o fato de praticamente todos falarem inglês não é excesso de influência da época em que os americanos por aqui estiveram.

Como exemplo, em Paris - e a França foi uma das vencedoras da 2ª Guerra junto com os EUA - não se vê essa disseminação toda do idioma.

Pode ser uma mega teoria da conspiração, mas alas políticas mais nacionalistas estão ganhando força por aqui e, lembrem-se, foi uma onda dessas que levou Hitler ao poder depois da 1ª Guerra...

Por outro lado, a extrema proximidade entre os países e a intensa relação entre eles - especialmente depois do advento da União Europeia - pode ser determinante para que praticamente em todos os países se fale inglês para manter a comunicação aberta e facilitada entre eles.


Se você quer saber mais e ver como era o Muro durante 1961 e 1989, o lugar a visitar é o Gedenkstätte Berliner Mauer. Ali é possível ver um trecho do Muro (são dois muros na verdade!) antes da queda e ver um pouco mais da sua história num museu a céu aberto. Não deixe de subir numa plataforma para ter a visão por cima!




Agora, se o que você gosta é de arte, vá até a East Side Gallery. Ali, no maior trecho do Muro ainda em pé, vários artistas pintaram pedaços do Muro com sua arte! Obras clássicas e bela vista do rio que corta a cidade, além de poder comprar um pedaço do Muro na loja de souvenir que fica ali.




A atracão que eu mais esperava ver nesta parte do passeio era um bunker - abrigo de guerra - da época da 2ª Guerra aberto a visitação.

Por um golpe do destino e pela infinidade de obras existentes na cidade, fiquei preso num engarrafamento dentro do ônibus e não cheguei a tempo de pegar a visita guiada em inglês.

[Dica: se você quer visitar o bunker preste atenção para os horários das visitas em inglês - a não ser que você entenda alemão, o que não é o meu caso. Duas opções no período da tarde: 13h e 16h]


Entrada do Bunker de Guerra

Como não consegui ver o bunker segui no ônibus até a Karl-Marx-Allee, uma larga alameda do lado oriental da cidade e que servia para os desfiles militares e comemorativos da Alemanha Oriental.




Achei impressionante a semelhança do lugar com algumas das avenidas de Brasília! Não sei se Niemeyer bebeu dessa fonte ou se é piração minha...

Enfim, a avenida começa num portal com duas altas colunas - não fui até lá, é muito longe (essa é uma das dicas dos guias: Berlim é muito grande e as distancias podem enganar, portanto cuidado achando que tudo é perto ou você vai andar um bocado) - e termina na Alexanderplatz.

Diário de Viagem: Berlim - Capítulo 5

31.05

Sabe um dos hábitos legais que as pessoas têm aqui? Num café ou restaurante, por exemplo, cada um tira a louça suja da mesa e leva pra um lugar que os estabelecimentos destinam só pra isso.

Lógico que o comportamento pode não ser espontâneo, mas é incentivado e levado de maneira muito natural por todos. E é um negócio tão simples, só localizar a esteira ou bancada onde se recolhem os pratos sujos e levar o seu!


No tour com um daqueles ônibus especiais destinados a isso, passei pelos principais pontos turísticos da cidade - alguns que já tinha visitado a pé, outros não - e uma coisa me chamou a atenção.

Em vários lugares da cidade, ainda há pelo chão uma linha com pedras de calçamento antigas mostrando exatamente por onde passava o Muro de Berlim.

Se, como eles declaram abertamente, o que aconteceu no passado - especialmente o nazismo - é objeto de tanta exposição para que não se repita, o resultado, em mim pelo menos, foi alcançado.

Das aulas de história no que se refere a Hitler, nazismo e as grandes guerras, e um pouco da memória, dos fatos mais recentes de Guerra Fria e Muro de Berlim é impossível ver o traçado do muro e não se arrepiar com as lembranças...

Não deixe de passar pela Nikolaiviertel, uma vilazinha encravada no coração de Berlim, exatamente onde a cidade foi fundada. É tão tranquila que você até se esquece que está numa grande metrópole!



Do outro lado da cidade fica a Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche, destruída durante os bombardeios da 2ª Guerra e que ganhou um memorial ao lado nos anos 1960.

Como ela está em reforma e apenas um salão inicial está disponível para visitação, não sei dizer se ela continua semi-destruída como em 1945. As imagens nesse mini-museu são impressionantes, desde a construção nos anos 1890!, passando pelo bombardeio em 1945 e a recuperação em 1961.


Se sua vocação são as compras, pertinho da igreja ficam várias lojas para você se esbaldar. Caminhe pelas ruas Kurfürstendamm e Tauentzienstrasse e certamente não vai se arrepender. É aqui tambem que fica a famosa loja de departamto KaDeWe.

Foi neste cantinho da cidade que descobri uma Starbucks que - pode ser sorte minha ou o acaso e isso ter acontecido apenas hoje - toca música brasileira. No tempo que fiquei lá o repertório de MPB foi de Chega de Saudade a Desafinado! Fica na - também famosa loja de departamento - Karstadt.

A Gemälde Galerie é mais um daqueles museus com um acervo fantástico e que não deve ficar de fora da lista de ninguém que goste de Rafael, Boticelli, Ticiano, Rubens, etc.

Corroboree
Fica num prédio que reúne uma série de atracões artísticas da cidade, o Kulturforum. Está bem próximo à Potsdamerplatz.

[Dica: aproveite que está no complexo onde fica a Gemälde Galerie e venha comer no Sony Center. Há uma série de restaurantes como o Corroboree, onde a Homemade Steak & Newcastle Brown Ale Pie (uma típica torta inglesa) é espetacular! Sem contar as batatas fritas com curry de acompanhamento...]


Diário de Viagem: Berlim - Capítulo 4

30.05

Tem dias que as coisas não dão muito certo, né?

Pois bem, foi mais ou menos isso que me aconteceu hoje. Não que o dia tenha sido perdido, longe disso - na verdade nunca acho que um dia num lugar diferente, numa viagem, seja totalmente perdido.

Vista interna do Deutscher Dom
Mas - e sempre tem um mas - os lugares que visitei hoje estão longe das coisas interessantes que vi durante a viagem e que já descrevi por aqui.

Comecei indo ao Deutscher Dom, construído para ser uma igreja mas que hoje abriga uma exposição sobre história política da Alemanha. Vejam que não é desinteressante, muito pelo contrário, especialmente para mim, que gosto do tema.

Mas - e olha ele aí de novo - a exposição é toda em alemão, o que complica e muito para mim, cujo domínio do idioma é muito próximo do zero...

Por outro lado, a exposição é inteiramente grátis e, se você tem tempo livre, vale a pena ver imagens importantes da historia alemã, além do prédio que é bem bonito.

Atravessando a bela praça em frente à Konzerthaus está outro Domo igualzinho ao Deutscher Dom, é o Französischer Dom, ou Domo Francês.

Ali a grande atracão é subir as escadarias para tentar uma vista alternativa da cidade a partir da região central. Ingressos a €3.

Französischer Dom

Bem atrás da Gendarmenmarkt, um cantinho para quem quer se sentir em Paris em plena Berlim! Uma das galerias mais famosas do mundo: Galeries Lafayette.

Em seus andares - em menor grau, é claro! - as opções em roupas, cosméticos e alimentação que te fazem "voltar" à capital francesa.

Lembrança de Paris

Através do subsolo ainda é possível visitar a Friedrichstadt Pasagen, uma das diversas galerias alemãs em Berlim.

Diário de Viagem: Berlim - Capítulo 3

29.05

O dia começa com a visita ao Jüdisches Museum, que mostra a história deste povo desde a fuga do Egito até os dias de hoje, depois da dizimação durante a 2ª Guerra.

[Dica: provar as especialidades indianas em Berlim é possível! Procure o Malashree, restaurante indiano que fica na esquina da Friedrichstrasse e da Rahel-Varnhagen-Promenade. Lugar tranquilo para um excelente almoço.]

Topographie des Terrors
Um lugar legal para conhecer é o Topographie des Terrors, museu aberto na antiga Sede da Gestapo e bem atrás de um trecho vivo do Muro.

A dica aqui é levar um boné e protetor solar, pois o sol da tarde castiga qualquer um que queira ver todo o material ali exposto. E de brinde, veja, toque - só não tire pedaço - de um trecho intacto do Muro.

O Checkpoint Charlie, ponto de entrada para o então setor americano de Berlim, vale mais pelo local que pelo museu que abriga.

Achei o museu meio bagunçado, muita informação estampada nas paredes e o espaço um pouco pequeno demais pra tudo isso. Agora, não se engane, é mais uma das aulas de história que se tem por aqui.

Checkpoint Charlie
Pra fechar o relato do dia, as figuras que frequentam o metrô por aqui não são tão diferentes de outras partes do mundo.

Numa das vezes topamos - eu e o restante dos passageiros - com um daqueles pedintes que no Rio entram nos ônibus entoando quase que um cântico do "eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando, mas estou aqui pedindo sua ajuda etc, etc, etc".

A segunda foi mais engraçada, já que a primeira provocou susto quando o sujeito entrou no trem pedindo nossa colaboração em voz alta...

À minha frente estavam dois italianos conversando quando um deles saiu numa determinada estação e o outro se pôs a falar ao celular, reclamando do mal sinal etc.

Nesse instante, dois músicos populares adentraram o vagão e começaram a tocar canções que o fizeram desistir definitivamente da conversa e cair na risada, assim como eu e dois americanos que assistíamos ao show sob o olhar incrédulo dos (acostumados, talvez) alemães.

Diário de Viagem: Berlim - Capítulo 2

28.05

Parece que a sina me acompanha. É a terceira cidade na Alemanha, depois de Dresden e Munique, em que eu chego e sempre tudo meio parado! Então, se tiver um curto período por aqui certifique-se de que eu não esteja pelas redondezas...

Brincadeiras à parte, parece que até ontem ocorreu o carnaval aqui em Berlim, então hoje a cidade está meio em marcha lenta.

Comecei indo ao Memorial aos Judeus mortos na 2ª Guerra (Holocaust Mahnmal). Tanto o passeio entre as "stelae" quanto a visita à parte interna são inteiramente grátis e valem muito a pena.



Logo ao lado fica o Portão de Brandemburgo, marco da história alemã e onde vários artistas de rua fazem suas mais diversas performances - desde soldados da 2ª Guerra ou oficiais da época da Guerra Fria em pleno ponto de passagem entre a Berlim Oriental e a Ocidental, até uma copia de Darth Vader!!!

Pra quem achou que era mentira...

[Dica: coma um currywurst numa das barraquinhas (chamadas por aqui de imbiss) espalhadas em frente ao Portão de Brandemburgo. São saborosos, tem baixo custo e você ainda se envolve na alma culinária berlinense.]


Se estiver na dúvida de qual museu visitar na Ilha dos Museus, vá ao Bode-Museum.

Com ingressos a €8 (acredito que haja alguma redução caso compra ingresso para outra atracão), pessoal muito atencioso e duas obras de Donatello e uma de Rafael é minha primeira escolha na Museumsinsel.



Você sabe como era a vida na Alemanha entre os anos 1960 e 1980? E do lado oriental, na antiga DDR (sigla em alemão para República Democrática da Alemanha, conhecida por nós como Alemanha Oriental)?




Pois é isso que você encontra no DDR Museum, num espaço totalmente interativo.

Uma série de objetos e maquetes - em tamanho real - que te levam desde a construção do Muro de Berlim até sua queda.

Berliner Dom
Destaque para a reprodução de uma casa da época, os carros - nos quais você pode entrar e se sentir dirigindo-os - e a sala de interrogatório.

Ali ao lado fica o Berliner Dom, a catedral da cidade, muito bem adornada por dentro e por fora, mas onde a simpatia do pessoal que ali trabalha passa longe.

Se a rudeza for muita não se intimide, tire um par de fotos e aproveite a praça e os gramados que estão logo em frente.

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